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quarta-feira, 6 de maio de 2009

Jogo dos sete erros

Uma mancha incolor na camisa branca,
Uma mancha amarelada no sorriso limpo,
O inseto, mínimo, passeando na calçada recém-lavada,
O fio de cabelo branco solitário na massa negra,
O livro de capa amassada mas com cheiro de novo,
A marca da lágrima na maquiagem irretocável,
O traço triste na canção da alegria.
Por que sempre reparo no que está fora do lugar?

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Do nada e do vazio, nasceu o caos.

O céu azul-violáceo é um teto fosco, a redoma que sustenta nossos sonhos, tão sólido e indestrutível que desperta desejos insanos.

A cidade parece tão vazia, no seu vai-e-vem constante.

Essa cúpula provoca a chamada "síndrome de serafim". É uma vontade incontrolável de se empoleirar num lugar bem alto, o mais alto que puder, e observar o mundo lá de cima. É uma forma de se sentir acima de todas as pequenezas que preenchem nossas vidas. Além do bem, do mal e da neutralidade.

Eu gosto de dias assim.

Tudo parece tão melancólico, visto de cima. A cidade fervilha, todos são pequenas formigas agitadas, e, ao mesmo tempo, tudo parece estático. O tempo parou. É uma interminável reprise de dias que já se foram, uma tentativa desesperada de prolongar algo que já deixou de ser.

Em dias assim é que me sinto senhora do eterno nada que insisto em chamar de existência.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Contrastes

É o pálido trajado em negro.
Um desenho a nanquim na sulfite virgem.

É o masculino fragilizado, de traços e gestos suaves, vestes justas e formas delgadas.
O feminino rude, imperioso, senhor de palavras, atos e mundos.

A mancha carmesim no pergaminho virgem.
A beleza na decadência. A flor que escapa do bueiro.
O sujo na perfeição, o batom que macula os dentes impecavelmente brancos.

O mendigo louco tocando gaita de boca na porta do shopping.
O homem de negócios que observa o cavalete vazio no meio da madrugada do aeroporto.

O comum me entedia.