terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Do nada e do vazio, nasceu o caos.

O céu azul-violáceo é um teto fosco, a redoma que sustenta nossos sonhos, tão sólido e indestrutível que desperta desejos insanos.

A cidade parece tão vazia, no seu vai-e-vem constante.

Essa cúpula provoca a chamada "síndrome de serafim". É uma vontade incontrolável de se empoleirar num lugar bem alto, o mais alto que puder, e observar o mundo lá de cima. É uma forma de se sentir acima de todas as pequenezas que preenchem nossas vidas. Além do bem, do mal e da neutralidade.

Eu gosto de dias assim.

Tudo parece tão melancólico, visto de cima. A cidade fervilha, todos são pequenas formigas agitadas, e, ao mesmo tempo, tudo parece estático. O tempo parou. É uma interminável reprise de dias que já se foram, uma tentativa desesperada de prolongar algo que já deixou de ser.

Em dias assim é que me sinto senhora do eterno nada que insisto em chamar de existência.

2 comentários:

Aline Barbosa disse...

Texto lindo.

E essa síndrome... é um prazer enorme. Nada melhor do que poder observar todo mundo de cima.

Enfim... Lindo texto.

Bjo!
\o7

Tássia Pellegrini (Tanna) disse...

"É uma vontade incontrolável de se empoleirar num lugar bem alto, o mais alto que puder, e observar o mundo lá de cima".

sofro disto de maneira crônica. E até a melencolia é bonita.

Lindo texto, linda =D