domingo, 23 de novembro de 2008

Eles não prestam

"Ei, gostosa! Vai ignorar? Você não gosta de rola não? Olha só, gente, ela é sapata!"

É claro, faz todo o sentido do mundo. Se preferimos ignorar um comentário chulo desses, a única explicação plausível é que não gostamos de homem. O mau gosto do que foi dito não tem relevância alguma nessa questão.

Oh, não, a "elogiada" preferir passar uma tarde inteira comendo pregos com molho de arsênico não tem nada a ver com o caso. Se fez cara feia, é porque é homossexual. Como se a opção sexual de alguém tivesse algo a ver com a situação como um todo.

Nem vou entrar no mérito do absurdo que é ouvir uma patacoada dessas em pleno século XXI. Do ridículo que é o cidadão afirmar uma coisa dessas como se fosse a pior coisa que ele poderia dizer, numa época em que a homoafetividade é tratada com tanta clareza até mesmo na mídia que costumava fazer tanto escarcéu -comparem o casal de Torre de Babel com a personagem de A Favorita, hã hã. 

Tá aí. Maldito espírito da escada. Dá vontade de olhar pra cara do sujeito e dizer, "ei, isso é o melhor que você pode fazer? Não quer dizer que minha mãe é gorda também?". Ou então, "Se você é um exemplo de homem, desculpe, mas prefiro pizza mulher".

Porque, gente, isso parece o tipo de birrinha que crianças de 8a série fariam. Juro. Aconteceu de certa vez na 8a série um menino me chamar de sapatão (é, sapatão mesmo, não lésbica, não gay: SA-PA-TÃO. E eu calço 37, hein...) só porque não quis ficar com ele. Não existe mais seletividade, é isso? É tipo, se caiu na rede é peixe? Se o cara tá me dando o privilégio da atenção dele eu devo me resignar e topar, sem livre arbítrio? Chauvinismo voltou à moda e ninguém me avisou nada?

Graças aos deuses o ônibus foi embora logo. Se a situação durasse mais, não sei o que iria fazer. Acho que perderia de vez toda a fé na humanidade.

Depois dessa, só tenho certeza de uma coisa: que saudades da menina do PUXA!

2 comentários:

Tássia Pellegrini (Tanna) disse...

Não sei como consegues escrever tão bema respeito de uma situação não merecedora de uma boa escrita.

E, maldito espírito da escada. Ele sempre nos deixa com um gostinho de "caramba, ia cair no chão!", mas o velho clichê "a melhor resposta é aquela que não se dá" acaba por, muitas vezes, funcionar e ser tão mais ridículo para quem faz a merda do que para quem a sofre.

Aline Barbosa disse...

Poxa... É rir pra não chorar... huahaahau
E rir é meio impossível de não fazer ao ler um texto desse.

Concordo contigo (acho q todo comentário meu tem essa frase .___.)

"Dá vontade de olhar pra cara do sujeito e dizer, 'ei, isso é o melhor que você pode fazer? Não quer dizer que minha mãe é gorda também?'."
Mas eu ri mto com isso aqui! huahauaauaha

Eu desisto desse povo... Dá pra ter fé na humanidade, mas tem uns por aí q graças ao Pai não a representam inteiramente, se não, era só botar tudo junto e tacar fogo... xD

Fazer o que?
Sempre vão ter dessas...