terça-feira, 7 de outubro de 2008

Kibes

Nesse mundo em que vivemos, faz-se qualquer coisa por um kibe. Até sair de casa de novo, oito e meia da noite, depois de um dia exaustivo. Achei que o cansaço houvesse me derrotado; a necessidade de um jantar me tirou, ainda que temporariamente, o peso dos ombros. E, na esquina da rua da lanchonete, eu vi o carro.

Vinha a toda pela rua. Parou na esquina mal iluminada, cantando os pneus, e de dentro dele saiu um homem, os olhos brilhando furiosamente com determinação. Bateu a porta, deu alguns passos até a esquina oposta, uma mão na cintura e a outra dando aquela ajeitadinha. Aliás, o que os homens tanto têm que ajeitar?, pensei. Será que as coisas não sabem se comportar sozinhas?

Chegou até a entrada do condomínio. Eu estava apreensiva. É um assaltante? Vai cobrar uma dívida de honra com um dos moradores? Olha, do jeito que ele não tira a mão do bolso, não é possível que ele esteja só se ajeitando. Aposto como vai sair uma espada dali. Como assim, não cabe uma espada? Claro que cabe, se o bolso for furado e ele não dobrar os joelhos. Não me importa que ele está andando normal, dobrando os joelhos e tudo, Cris, me deixa prestar atenção, estou sentindo cheiro de sangue no ar e isso ainda vai dar uma boa crônica.

Não, espere, ele está indo na direção do poste. Seria possível que ele iria fazer suas necessidades logo ali, no meio da rua, nem nove horas da noite ainda? Mas é muita falta de educação! Não, não grite "mijão". Não me envergonhe!

Sem tirar as mãos da frente de seu corpo, ele se posicionou do lado do poste. O que se faz numa situação dessas? Faz de conta que não viu nada? Fica por perto e começa a torcer, em voz alta, só pra deixar o mal-educado constrangido? Informa delicadamente que havia uma lanchonete a menos de dez passos e que, se ele pudesse se aguentar mais um pouco, poderia fazer isso num banheiro, com toda a privacidade do mundo? Senta no chão e ri da cara do sujeito?

Então ele bateu palmas e chamou o segurança, com quem começou a conversar. Perdi o interesse. Meu estômago me lembrou que não comia nada desde o almoço corrido antes do trabalho, e fomos providenciar os kibes.

Droga de noite sem graça.

2 comentários:

Aline Barbosa disse...

Detalhe...

Cris atrapalha, hein! huahuaahau
Brincando... xD

Bjão!
\o7

Tássia Pellegrini (Tanna) disse...

uhauhauhauuhauh gente, AMEI esse texto, SÉRIO MESMO. Rindo até agora. E, tecnicamente falando, a construção dele o torna muito gostoso de ler.

Parabéns Dee x)