domingo, 12 de outubro de 2008

Meu maior medo é nunca mais sentir medo.

Pois eu insisto em concordar com Roosevelt, quando ele diz que se deve, todos os dias, fazer aquilo de que se tem medo. De preferência, em momentos de tensão. E que se danem as mãos que se recusam a parar de tremer, o coração que esquece que deve seguir um ritmo pré-estabelecido para continuar funcionando - em vez de disparar feito um louco ou congelar de vez -, as maçãs do rosto que se aquecem e adquirem uma coloração totalmente diversa da habitual, e a vontade de se enfiar debaixo da cama e não sair de lá nunca mais.

Medo também é pathos. E já dissemos antes: o pathos é o que faz com que nos sintamos vivos. E Platão que se exploda, com toda sua frieza, sua pureza, sua perfeição utópica.

Não vou dizer que não seja um processo doloroso. É, e muito, especialmente se demorar muito tempo para juntar a coragem necessária para encarar o bendito de frente. Mas dói menos que se recolher, dia após dia, chorando com medo do medo. Este é, aliás, o pior dos medos: o medo de temer, o medo de ousar superar os temores.

Mas, uma vez que se consegue... As recompensas podem vir de diversas formas: mal-entendidos solucionados, um texto particularmente ousado e bem aceito, uma afirmação inesperada e inebriante.

Não tenha medo de chorar em público; não tenha medo de dizer que gosta de alguém; não tenha medo de provocar seus sentimentos e de, possivelmente, quebrar a cara em algum ponto do caminho. Não tenha medo de dizer que errou. Não tenha medo de acertar.

Mas, que fique bem claro: ainda tenho todo o respeito por medos de altura, baratas, palhaços, escuro, aranhas e fantasmas. Porque sem esses medinhos estúpidos - e freqüentemente irracionais -, que material teríamos para implicar com nossos amigos?

3 comentários:

Aline Barbosa disse...

É... É o pathos, bendito, sempre presente na vida todos...

Concordo contigo... É bem por aí...
Como já comentei, nas horas de maior desespero, em que se sente realmente mal, vc acaba por concordar com Platão, afinal, nada "melhor" do q não sentir esse desespero todo... Mas é esse mesmo desespero q faz nos sentirmos vivos, sem ele, seríamos apenas pedaços de carne com algumas pequenas habilidades...

Sentir medo faz parte. Acho q é a "modalidade" do pathos mais forte, qualquer pessoa sente, em situações variadas, por mais q tente fingir q não...

Enfim...
Aaah, pois é... Esses últimos medinhos são bem irracionais, mas tbm consegue dar uma corzinha na vida...
huahauahua

Enfim... Bjo!
\o7

Aline Barbosa disse...

Respondendo: Sim, sim, Bedtime é um disco incrível... Sem dúvida um dos meus favoritos. Mas meu campeão continua sendo o Erotica... Aliás, eu gosto de mta coisa dela... Mas fácil dizer os q eu não gosto... huahuahaua

\o7

Tássia Pellegrini (Tanna) disse...

Amei o texto. O título, muito bem elaborado, e o texto, com uma leitura gostosa... sim, és A cronista e A escritora *-*

o medo, apesar de já carregar um aspecto restritivo, possui o caráter de estimular atitudes, inconscientemente. Amei!